Por que não registro?

Registros são falsos e ineficientes. Não existe a possibilidade de se falar exatamente sobre uma coisa, ou a descrição seria a própria coisa. É o que Peirce nos diz sobre a metáfora: se ela fosse perfeita, não seria uma metáfora. E Flusser, lindo como sempre, apóia tal raciocínio quando diz que a fotografia não é uma janela para o universo, mas uma interpretação de algo do universo. (Flusser, 1985)

Geralmente comete-se o equívoco de pensar na fotografia ou o vídeo como capturas da realidade. O que acontece, no entanto, é que eles têm o potencial de construir realidade, mas disso tratarei mais tarde, em outro texto. Atenho-me aqui ao equívoco de se pensar numa neutralidade do registro, numa captura do real. Toda imagem é uma construção parcial feita a partir de escolhas restritas às possibilidades aparelhísticas de quem imagina – entenda imaginar como construir imagens.

Desfeito o mito da imagem imparcial, posso dizer agora que o registro da dança é um falso registro. Meu foco não tem sido fotografia ou vídeo ou análise verbal de coreografia, logo não faz sentido que eu produza esse tipo de material. A coreografia se apresenta a partir do corpo humano. Vídeo não é coreografia e, portanto, ele não é o meio apropriado para que se apresente coreografia.

Proponho, portanto, um espaço livremente reflexivo para que questões pertinentemente verbais possam ser levantadas.

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