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História natural

abril 29, 2010

No fim, já não se sabe
se ainda é vegetal
ou se a planta se fez
formação mineral

à força de querer
permanecer tal qual
na permanência aguda
que é própria do cristal,

que só não pode ser
o imóvel mais cabal
mas que ao estar imóvel
está aceso e atual.

João Cabral (1979: 144)

Copiado de:
Katz, Helena. Um, dois, três. A dança é o pensamento do corpo. Belo Horizonte: FID Editorial, 2005. 1 ed. p. 41

A situação

novembro 18, 2009

[Esse post servirá para que o blog se situe no mundo e, principalmente, explicite as perguntas do autor que culminarão nos próximos escritos.]

“A Incerteza” foi um projeto que começou com o apoio do FID (Fórum Internacional de Dança) 2009, através do Programa Território Minas, que oferece bolsas de pesquisa em dança para pessoas de Minas Gerais. Esse ano, eu (Raul, o Incerto) e Joana Wanner fomos contemplados com a bolsa para a pesquisa, que teve seu resultado provisório apresentado nos dias 29 e 30 de outubro, no Espaço Cultural Ambiente, dentro da programação do FID 2009.

As investigações de “A Incerteza” tiveram como ponto de partida a investigação de algumas formas de entendimento do tempo ao longo da história da ciência – especialmente as noções de Isaac Newton (século XVII), da termodinâmica (séculos XIX e, a partir de Ilya Prigogine, XX) e de Albert Einstein (século XX). A partir dessas noções, nos perguntávamos como essas diferentes idéias poderiam influenciar na criação e execução coreográficas, e chegamos à dicotomia que acompanharia todo o projeto e permaneceria além dele: determinismo (o que, no entendimento de tempo, significa “futuro previsível” e “passado conhecido”) e não-determinismo (onde há a possibilidade da existência da novidade, pela existência do acaso). O estudo da música e vídeo, meios (pretendo dedicar um post ao porquê da escolha da palavra “meio”, e não “mídia”) que como a dança possuem o caráter de sucessão temporal explícito, provou-se um potencializador enorme para a investigação proposta, sendo responsáveis pela criação de quase todos os experimentos.

Após a apresentação do resultado da primeira etapa da pesquisa no FID 2009, a investigação do caráter de jogo dos experimentos criados e a exploração do erro como possibilidade de surgimento de novidade artística restaram como as propostas mais fortes, e são esses dois pontos os mais importantes para as perguntas proposta para a continuidade das investigações.

A filosofia programática proposta por Vilém Flusser (Praga, 1920-1991) tem tido importância enorme para as reflexões e será assunto para alguns posts que virão a seguir. Relacioná-la com a dança tem sido surpreendente pra mim, no sentido de que tem parecido mais pertinente do que pensei.

Bom, fica aqui a minha breve introdução a esse blog, que pretende ter muito mais caráter reflexivo que de registro – e a explicação dessa pretensão também fica pra outro post. Bacana que já tenho assunto pra outros três posts.

Foto: Cuia Guimarães / FID 2009